Há uma bolha salarial no futebol brasileiro

Nos últimos meses, temos acompanhado uma série de repatriações de jogadores brasileiros. Alguns pela idade avançada, que os obrigam a buscar mercado fora da Europa, e outros rechaçados por seus clubes e em “busca da felicidade”. Quando estes saem daqui e são negociados, vão para o Velho Continente em busca da “independência financeira”. Ou seja, salários astronômicos e recebidos em euros ou dólares. Tudo isso porque nossos clubes não têm condição de arcar com esses altos rendimentos.

No entanto, com o retorno de atletas como Ronaldo (Corinthians), Fred (Fluminense), Adriano (Flamengo), Robinho (Santos), Vágner Love (Flamengo) e alguns outros, as equipes daqui têm feito verdadeiros malabarismos financeiros para pagar, justamente, o que não podiam no passado recente. Cada vez mais, os clubes brasileiros têm arriscado seu orçamento em troca de um salário gigantesco para um desses atletas.

Por mais que, em termos de marketing, muitos desses jogadores garantam um retorno financeiro excelente para os clubes brasileiros, acho que o nosso futebol passa por um momento crítico. Para usar um termo de economia, estamos vivendo uma “bolha salarial”.

Os atletas citados podem até mostrar, em campo, que merecem um salário altíssimo, mas eles acabam inflacionando o mercado. Se o Santos pode buscar patrocinadores e lançar bonequinhos do Robinho, os empresários de outros jogadores, quando negociarem com o Peixe, saberão desse potencial do clube – independente de quem seja seu cliente. Assim, vão obrigar o clube a subir a pedida, sempre.

Uma hora essa bolha vai estourar. Assim como já estourou em diversos setores da economia ao longo da história. Se o conceito tão difundido de que o “mercado regula o mercado” for aplicado aqui, vejo, em um futuro breve, os clubes brasileiros sofrendo com folhas salariais altíssimas e irreais para a nossa realidade social e econômica. Por mais que todo panorama social e econômico do Brasil esteja melhorando, ainda não temos condições de competir com os clubes europeus no holerite.

E, na prática, é isso que está acontecendo. Como muitos jogadores brasileiros, mimados por seu ego, não querem ficar na Europa, retornam ao Brasil forçando a barra. Mas nunca sem se adaptar à realidade daqui. Os clubes brasileiros, nesses casos, deveriam ser mais fortes na negociação. E não simplesmente ceder.

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Uma resposta to “Há uma bolha salarial no futebol brasileiro”

  1. Há uma bolha salarial no futebol brasileiro « Blog do Gustavo Hofman – brasileiro Says:

    […] https://gustavohofman.wordpress.com/2010/02/06/ha-uma-bolha-salarial-no-futebol-brasileiro/Nos últimos meses, temos acompanhado uma série de repatriações de jogadores brasileiros. Alguns […]

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