Guarani: do pesadelo ao sonho, e novamente ao pesadelo

Estádio Brinco de Ouro da Princesa, palco da história bugrina

O desavisado que pegar a classificação da Série A2 do Campeonato Paulista vai certamente levar um susto ao procurar pelo Guarani. Atual vice-campeão brasileiro da Série B, o Bugre, a três rodadas do final da primeira fase, luta contra o rebaixamento. E daqui poucas semanas estreia na Série A contra o Goiás, no Brinco de Ouro da Princesa.

Mas afinal, o que aconteceu com a equipe? Afinal, a base do time que surpreendeu a todos no segundo semestre do ano passado foi mantida, assim como seu treinador, Osvaldo Alvarez. Os salários também estão em dia e o grupo se dá muito bem. Então que cargas d´água aconteceu?

Existem algumas coisas no futebol que são difíceis de se explicar. Em 2009, o Guarani, após ter ficado com o vice-campeonato da Série C, montou um time ridículo para o Campeonato Paulista. Foi rebaixado e a diretoria, a poucos dias do início da Série B, montou um time novo, com jogadores indicados por Vadão e seu auxiliar Gersinho.

Teoricamente, essa fórmula não dá certo. O elenco mal teve tempo para se entrosar e já estava em campo contra o Fortaleza, no Castelão, pela primeira rodada. Enfiou 4 a 2 no time cearense. Daí em diante, o Bugre manteve o alto nível e foi a equipe mais consistente durante toda segunda divisão, tendo permanecido no G4 em todas as rodadas.

Pois bem. Para a Série A2 do Paulista, portanto, bastava manter a base do time que o acesso viria naturalmente. Algumas peças, no entanto, foram embora, e são justamente estas que desmontaram o time. Do meio para a frente o Guarani é o mesmo, mas na defesa… Maranhão e Bruno Aguiar foram para o Santos, enquanto Eduardo hoje é titular do Palmeiras. Os jogadores contratados para repor as perdas nem de longe estão um nível abaixo.

Poucos se deram conta, mas a campanha do Bugre na Série B foi repleta de 1 a 0, 2 a 1 e 0 a 0. Porque o sistema defensivo  bugrino era a melhor parte dessa equipe. E foi desmontado para esta temporada.

Alie isso a um time desmotivado, que achava que os resultados viriam sem esforço, e a torcida bugrina viu derrotas ridículas em casa, como a deste final de semana, diante do Votoraty, por 1 a 0.

A diretoria, que teve seus méritos em reerguer o clube nos últimos anos, assistiu passivamente o Guarani definhar. Leonel Martins de Oliveira não tomou atitude alguma para mudar a situação. E agora, o Bugre sofre contra mais um rebaixamento. Pior: não sabe o que será de si na Série A do Brasileirão, já que um novo time precisará ser montado – e terá que torcer para que um raio caia duas vezes no mesmo lugar, para que a “fórmula” da Série B seja repetida.

Para completar o cenário de desolação no Brinco de Ouro da Princesa, em 2011 o Guarani Futebol Clube completa 100 anos. Dono de um título brasileiro (1978), dois vices, campanhas memoráveis, diversos jogadores revelados (Careca, Zenon, Julio Cesar, Evair, João Paulo, Neto, Amoroso, Luisão e mais recentemente Alex, Edu Dracena, Xandão, Danilo Silva, entre outros), e com torcida própria, o Bugre periga passar seu centenário na terceira divisão estadual.

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