O início, o fim e o meio do Guarani em 2010

O cenário era desolador. Às 9h55, os carros estacionados ao redor da igreja que fica perto do Brinco de Ouro da Princesa indicavam que o torcedor bugrino resolveu comparecer ao estádio e ajudar o time na luta contra o rebaixamento para a Série A-3 do Campeonato Paulista. No entanto, à medida que se aproximavam do campo, e as vagas na rua se tornavam abundantes, os torcedores constatavam que o grande volume de veículos estava ali para ir na missa matinal de domingo.

No final de 2009, o Guarani estava em festa. Após muitos anos de péssimos resultados e rebaixamentos vergonhosos, a equipe, campeã brasileira em 1978 e reveladora de diversos jogadores importantes na história do futebol brasileiro, finalmente estava de volta à primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Com uma campanha impecável, quando permaceu por todas as 38 rodadas entre os quatro primeiros, o Bugre podia celebrar o acesso.

Tudo isso após um primeiro semestre trágico, quando com um time ridículo, foi rebaixado para a segunda divisão do Paulista. E esse carma precisava ser pago agora.

A diretoria manteve a base da Série B para este ano. Desmontou, no entanto, a defesa, que havia sidoo setor mais forte da equipe em 2009. Mesmo assim, ninguém acreditava que o Bugre teria dificuldades contra Rio Preto, Grêmio Osasco, Flamengo de Guarulhos e por aí vai.

No começo da Série A-2, os primeiros resultados ruins ganhavam desculpas: o time está cansado, não teve tempo para treinar etc. As rodadas foram passando e as desculpas acabando. Quando todos no Brinco de Ouro se deram conta, o Guarani não tinha mais chances de se classificar entre os oito primeiros e, pior, sofria com o ingrato fantasma do rebaixamento mais uma vez. Ele mesmo, que rondou o Brinco na última década, não dava tréguas nem nos bons momentos do clube.

Neste domingo, às 10h, o Guarani Futebol Clube entrou em campo precisando vencer o Grêmio Catanduvense para não depender do resultado de América e Oswaldo Cruz, em São José do Rio Preto – caso os visitantes vencessem e o Bugre fosse derrotado, mais uma queda alviverde aconteceria.

O Guarani, ao menos, fez seu dever e derrotou o Catanduvense por 3 a 0 – e o Oswaldo Cruz ainda foi derrotado por 3 a 2. Em 2011, em pleno ano do centenário, estará mais uma vez na segunda divisão paulista.

Ao final da partida, sob o forte sol de Campinas, os cerca de 1800 bugrinos que deixaram suas casas nesta manhã de domingo para sofrer com seu time do coração protestaram. Querem a permanência de Oswaldo Alvarez e a contratação de um time inteiro. Mal sabiam em quem mirar as críticas. No vestiário, o presidente Leonel Martins de Oliveira foi interpelado por torcedores. Na Série A, o Guarani já entra como favorito ao rebaixamento.

Nos bastidores, comenta-se que Vadão não quer permanecer (seu contrato, aliás, termina agora) e que Estevam Soares já está acertado. A diretoria teria, também, definido a chegada de pelo menos 15 reforços e a saída de boa parte do atual elenco. Desse grupo, alguns jogadores têm condições de permanecer, mas a triste constatação é que a base bugrina, outrora dourada, hoje não consegue colaborar com o time principal.

Se o início do Guarani em 2010 era promissor, o fim, agora, se mostra desolador. Resta esperar o meio no Brasileirão.

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