Duke, sem surpresas; Butler, quase

Coach K e seus pupilos de Duke

Nesta segunda-feira à noite, 70 mil pessoas compareceram ao Lucas Oil Stadium, casa do Indianapolis Colts, da NFL, para acompanhar a decisão do basquete universitário norte-americano, a NCAA, entre a tradicional Duke e a zebra Butler. Em casa, acomodados em seus sofás e certamente comendo muita porcaria, outros milhões viram mais um título dos Blue Devils.

Duke venceu por 61 a 59 – mas quase levou a virada espetacular, com uma bola de três do meio da quadra no último segundo. Foi o quarto título da universidade, e o quarto também de seu técnico, Mike Krzyzewski – mais conhecido por aqui devido ao mesmo cargo na seleção norte-americana.

A partida foi totalmente atípica para as duas equipes. Tanto Duke como Butler chegaram na decisão do Final Four embaladas por suas defesas. No jogo, no entanto, o que se viu foi um festival de bolas de três, jogadas um contra um e rápidos contra-ataques. Claro que as defesas, de qualquer modo, atuaram forte – como mostra o placar -, mas fugiram à sua característica principal, que é a pressão o tempo todo.

Uma prova disso é o fato de Butler, pela primeira vez em toda fase final da NCAA, ter levado mais do que 60 pontos em um jogo.

Duke tem um time muito forte, com atletas “experiente” (no último ano de faculdade – senior) e que tem no coletivo seu forte. Brian Zoubek é um pivô enorme, que marca presença no garrafão. Jon Scheyer um armador excelente, que também pontua. E Kyle Singler um ótimo ala, alto, com bom arremesso.

Já Butler é um time extremamente novo, com seus principais atletas ainda no segundo ano (sophomore) – no entanto, extremamente talentosos. A dupla formada pelo armador Shelvin Mack e o ala Gordon Hayward é espetacular. Com eles na equipe por, pelo menos, mais um ano, provavelmente, Butler tem condições de repetir a dose.

Além dos atletas, é preciso destacar também o trabalho dos dois técnicos. Mike Krzyzewski, ou simplesmente Coach K, é um dos mais talentosos e reconhecidos treinadores dos Estados Unidos. Tanto que comanda também a seleção com os astros da NBA e é sempre cotado para ir para a liga profissional – sempre recusa. A forma como Duke joga, com extrema eficiência no jogo coletivo, deixa evidente seu trabalho.

Já do outro lado, Butler revelou a todos Brad Stevens, de apenas 33 anos. O jovem técnico, que tem seu adversário da decisão como maior ídolo, conseguiu conduzir um talentoso time, ainda inexperiente, para a grande decisão do país. E fez com que jogassem como uma equipe, com uma defesa extremamente forte e grande aproveitamento nos arremessos (o que não aconteceu na final: Butler chutou apenas 35% nos field goals).

O título de Duke foi merecido. É impossível contestar todo o trabalho que foi feito pela universidade – que tem um dos melhores programas de seleção do país há muito tempo – ao longo da temporada. No entanto, ficou aquela sensação de que Butler merecia mais. Ainda mais com aquela bola de três do Hayward batendo no aro nos últimos milésimos de jogo…

Draft

Obviamente que o desejo de todos os jogadores universitários norte-americanos é ir para a NBA. No entanto, a honra cabe para poucos. E nem mesmo o título da competição é garantia para isso.

Dentre os finalistas, acho que Shelvin Mack e Gordon Hayward, de Butler, e Kyle Singler, de Duke, têm potencial de sobra para chegar na NBA. Os dois primeiros ainda são segundo-anistas (e precisam jogar mais na NCAA para não decepcionarem depois), enquanto o terceiro disputou sua terceira temporada pelos Blue Devils. Outros, como Matt Howard (Butler), Jon Scheyer e Brian Zoubek (Duke) também têm chances, mas nunca se tornarão atletas de destaque na liga.

Entre os principais sites de previsão do Draft da turma de 2010 (aqui tem um bom resumo), a maioria coloca Hayward e Singler na NBA já no ano que vem.

Sobre os outros destaques da temporada universitária, não há como não falar do armador precoce John Wall, de Kentucky. Apesar da decepção de sua universidade, Wall jogou muito o ano inteiro e é a principal aposta de todos para o pick 1. Lembra muito o estilo de Derrick Rose, hoje no Chicago Bulls. Além dele, ainda em Kentucky, destaco o pivô DeMarcus Cousins. Muito forte, com bom arremesso.

Brasileiros? Jonathan Tavernari, que disputou sua última temporada por BYU, está automaticamente inscrito no Draft (vale lembrar que até o quarto ano, o jogador opta por entrar ou não na seleção), mas dificilmente será selecionado por algum time. Quem tem mais chances é o pivô Paulão Prestes, atualmente no Murcia, da Espanha, que é bem cotado em alguns sites. No entanto, no último domingo o jogador sofreu uma grave lesão no pé e vai ficar fora por algum tempo – isso pode retardar sua chegada na NBA.

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