Estou ansioso com o jogo (e como eu amo esse jogo)

O título do post é bem direto: estou ansioso com o jogo do Brasil contra a Argentina. Não, não é futebol aviso aos mais desavisados. É bola ao cesto.

Joguei basquete dos 12 aos 17 anos de maneira “séria”. Disputei o Campeonato Paulista do mirim ao juvenil por dois clubes de Campinas. Primeiro a Sociedade Hípica, depois o Tênis Clube e encerrei a carreira na Hípica (sim, dois clubes com outras modalidades esportivas no nome, mas que sempre tiveram um basquete forte).

Eu era um bom jogador. Comecei como pivô, tinha 1m81 com 13 anos. Daí parei de crescer, fiquei mais inteligente e virei ala. Tive temporada com média de 20 pontos. Ok, duvido que vá aparecer alguém aqui para me contestar, então não preciso mais ficar me gabando.

Joguei até contra uns caras que estão na Seleção hoje. O Nezinho, por exemplo. Enfrentei esse moleque em todos os anos: ele começou em Araraquara e depois foi para o Nosso Clube de Limeira. Baita time que eles tinham, e ele sempre foi o melhor – mas nunca jogando como armador principal, e sim como arremessador. Inclusive, na terra da laranja, ele encontrou o Fúlvio. Esse era um que ninguém dava nada por ele, tinham outros melhores na própria equipe, mas virou um belo armador.

Parei de jogar por causa da faculdade – e também porque as tentações da vida de pessoa comum eram muito boas, admito. Para ser atleta é preciso treinar muito quando não se é gênio, e como esse não era o meu caso, acabei no jornalismo mesmo…

Cresci com duas paixões: futebol e basquete. Aliás, costumo falar que o futebol é o esporte mais apaixonante e o basquete o mais emocionante.

Acompanho as temporadas da NBA desde o primeiro tricampeonato do Chicago Bulls. Lembro de cabeça aquele time (Bill Armstrong, Michael Jordan, Scottie Pippen, Horace Grant e Bill Cartwright). Tenho minhas pastas com os cards da NBA até hoje guardadas – às vezes pego só para lembrar de uns caras como Anfernee Hardaway, Larry Johnson, Reggie Miller…

Mas eu não achava que só existia basquete nos EUA. Lembram quando o Oscar foi contratado pelo Corinthians? Corinthians Amway? Pois é, eu estava no Parque São Jorge em todo final de semana para assistir os caras. Fui até em final de campeonato paulista feminino de basquete em Americana (ok, era porque a Microcamp – aquele time que tinha a Paula – treinava no Tênis com a gente)!

Toda essa enrolação, essa longa e tediosa introdução para falar que eu amo o basquete. Como era gostoso jogar, sentir aquela emoção vinda das arquibancadas, a pressão pela busca do resultado, ouvir a torcida te xingando, correr pelo time… isso era bom demais. Foi muito bom enquanto durou, e me transformou em alguém ainda mais apaixonado pelo esporte.

E mesmo com tudo isso, a última vez que fiquei nervoso com um jogo de basquete foi nas Olimpíadas de 1996. Uma partida contra a Grécia, que perdemos. Depois, não parei de torcer, mas nunca mais tive aquela sensação de que podemos chegar, que temos um time forte, com gente comprometida.

Nesse meio-tempo, torci demais por nossas seleções nos Mundias, Olimpíadas e até Pan-Americanos. Acompanho e torço pela evolução da NBB. Vibrei sozinho em casa com a notícia da saída do Grego da CBB. Comemorei cada passo do nosso basquete que pudesse simbolizar um mínimo avanço. Tudo porque eu amo o jogo.

E nesta terça-feira, às 15h, temos um Brasil e Argentina pelas oitavas de final do Mundial de basquete. E estou extremamente nervoso com esse jogo. E, ao mesmo tempo, feliz com isso. Feliz por perceber que nosso basquete evoluiu, saiu daquele lamaçal onde estava atolado. Feliz porque nos últimos dias pessoas que nunca comentaram basquete na vida vieram me perguntar sobre isso.

Profissionalmente, fui para o lado do futebol no jornalismo (sou editor da Trivela.com), mas nunca se abandona uma paixão na vida. E graças à Revista ESPN, voltei a me aproximar da modalidade nos últimos anos. Como eu disse, nunca deixei de acompanhar, mas escrever matérias, entrevistar o pessoal, acompanhar treinos da Seleção, tudo isso me devolveu essa ligação que eu tinha com o basquete na minha adolescência. Voltei a comentar mais  no twitter, escrevo no blog da revista todo dia, converso mais com outros jornalistas da área…

E essa partida contra a Argentina significa demais para todos nós. Esqueçam essas baboseiras patrióticas por causa do Dia da Independência. Desencanem dessa rivalidade com os argentinos por puro bairrismo.  O que importa, mesmo, é que podemos recolocar nosso basquete em seu lugar de direito. Se batermos a Argentina, bateremos uma das melhores seleções dos últimos tempos. Daremos um enorme passo na consolidação da nossa recuperação.

Com Rubén Magnano já crescemos muito e ainda temos muito a crescer. Ele está apenas no começo de seu trabalho, que já deu provas da qualidade ao derrotarmos a Croácia, por exemplo, e fazermos jogo duro com os norte-americanos. Mas como será bom se deixarmos para trás os argentinos também. Estaremos entre os oito melhores do mundo novamente. Tarefa cumprida. E, certamente, com uma enorme repercussão. Tomara, tomara.

No fundo sei que a Argentina é favorita, mas a minha torcida é grande demais. Daquelas que apertam o peito. Como eu amo esse jogo.

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